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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/54

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ou menos conservadas, existem esparsas pela área deste concelho, sobretudo na montanhosa.

Em 1881 relacionei-me com elas em circunstâncias que evoco com saudade, por acordarem no meu espírito a memória de um amigo, que pôs ao serviço da arqueologia pátria a sua lúcida inteligência, com os meios da sua fortuna - o sr. F. Martins Sarmento, de Guimarães; e, ainda, por me fazerem lembrado outro amigo - o sr. dr. José M. Pestana de Vasconcelos, desembargador da Relação do Porto, que me abriu, com mão carinhosa, as portas dos - Provarás -, no tribunal desta comarca, quando aqui foi juiz de direito.

O dr. Martins Sarmento resolvera fazer uma visita àquele douto magistrado, e aproveitar o ensejo no interesse dos seus estudos especiais - a arqueologia[1].

Sabido o dia da sua chegada, lá fomos eu e o sr. dr. Pestana - esperar a S. Bento da Porta-Aberta, limites deste concelho e Valença, o reconstrutor da - Citânia de Briteiros.

Havia no meu espírito uma predisposição amiga para com o ilustre vimaranense, já antes das nossas relações pessoais. É que eu sabia-o apaixonado pescador de trutas, pelo sistema definido pelo brilhante poeta sr. Guerra Junqueiro: - à cana.

E, porque eu, também pelo mesmo processo, fazia a possível guerra ao saboroso e sarapintado peixe, veio desta identidade de sport a minha anterior simpatia pelo sábio.

Foi, pois, em S. Bento, freguesia de Cossourado, o nosso encontro e a minha apresentação.

Ingerido o almoço de guerra[2], fomos visitar o monte da Cividade, que fica a cavaleiro da igreja paroquial daquela freguesia, e depois seguimos para o lugar de Antas, em Rubiães, onde estavam e estão acantonados quatro miliários, cujas epígrafes o arqueólogo pretendia recolher, como fez.

Em Antas foi ele informado, por um cicerone local, de que, perto, servindo de tranqueiro a uma porteleira, havia uma pedra com - letras.

Fomos em cata da desconhecida preciosidade.

Não apareceu, porém, a inscrição nem a pedra.

O cicerone, talvez para se resgatar do desapontamento em que nos deixara, veio com outra informação, dizendo que, no pinhal próximo, houve, em tempos passados, «fornos de telha», dos quais ainda se viam restos.

Então, enveredamos para o ponto indicado.

O dr. Martins Sarmento viu, observou, andou em redor dos pretensos Fornos de telha, e depois disse: «são mamoas; é a parte externa das antas». E continuou a dar uma prelecção sobre estes monumentos megalíticos, acrescentando, que, talvez, a denominação - Antas -, dada à povoação próxima, viesse de ter sido edificada quasi junto deles.

Por fácil associação de ideias, já ali notifiquei ao dr. Sarmento a existência de mais antas no monte da Chã de Lamas, junto da lagoa deste nome, também conhecida por - lagoa da Salgueirinha -, na freguesia de Vascões.

Eram uns montículos de terra, forma alaranjada, ou


  1. O sábio Cartaillac escreveu de Martins Sarmento: «Il y a dans le nord du Portugal, á Guimarães, un home instruit et fortuné, enthusiaste et genereux, qui s'est devoué à l'histoire de son pays...» - Les Ages Prehistoriques d'Espagne et du Portugal - pag. 272.
  2. Era assim que o dr. Sarmento classificava os bolos de bacalhau e mais viandas do dito, de que se fizera acompanhar.