O sub-solo era barrento.
Uns mediam 0m,235 de comprimento e outros 0m,273.
A maior extensão do gume, regulava por 0m,50, pois não era igual em todos.
A parte média de cada machado estava armada de dois anéis ou ansas e a parte oposta ao fio tinha uma cabeça, à semelhança de cone truncado, ligado ao instrumento por uma garganta, no ponto de junção.
O trabalho industrial era mais perfeito nuns do que noutros. Talvez se pudessem seleccionar em dois grupos.
Aqueles a que chamo menos perfeitos, eram mais compridos, mais pesados, menos correctos na fundição, com mais rebarbas, sendo um dos anéis mais apertado do que o oposto. As arestas das meias canas mediam 0m,85, de comprimento. As quinas do fio eram menos correctas, rombas e amolgadas, talvez pelo trabalho.
Os outros, que considero mais perfeitos, tinham as cabeças mais pequenas, as aberturas das ansas mais regulares, e o gume menos gasto.
O chanfre do fio era perfeitamente regular, como nos machados ordinários, sem concavidade em nenhuma das faces.
Estes, pareciam novos, como sairiam do molde do calderario.
Logo que tive notícia do aparecimento deste tesouro, fui ao sítio, na esperança de pesquizar mais alguma coisa - as formas -; mas só encontrei restos de tijolo de rebordo, e vi a cama em que ele apareceu.
A propriedade do Castelo é um outeiro, com grandes blocos graníticos, por entre os quais aparecem intersticios com húmus, sendo o sub-solo também barrento.
O outeiro dista uns 400 metros da ponte de Mantelães, e pertence agora ao sr. Conselheiro dr. Bernardino Machado.
No Archeologo Portuguez, ano 8.º, n.ºs 5 e 6, lê-se um interessante artigo, relativo a este tesouro, devido ao distinto arqueólogo e meu ilustre amigo sr. dr. Félix A. Pereira, 1.º oficial do Museu Etnologico Portuguez.
Dos quatorze machados, que constituíam o achado, foram oferecidos nove ao sr. conselheiro Vargas pelo antigo proprietário do Castelo, quatro a mim, e um ficou em poder do capataz da surriba, que depois adquiri.
Hoje, creio que o tesouro está, outra vez, reunido em uma vitrine daquele Museu.
Quantos séculos dormiria no esconderijo do Castelo?
Donde vieram os seus obreiros?
Quais os seus costumes, leis, religião, etc.?
Porque se fixaram aqui?
Para onde foram?