Neste concelho havia dois: um, na serra do Carvalho no sítio ainda hoje conhecido por - penedo do Facho, e outro, na da Labruja.
O facho parece ser a substituição da antiga almenára, dos lusitanos [1].
--imagem-- Ara de Lizouros
Entre os diversos lugares ou povoações que constituem a freguesia de Cunha - a antiga Colina -, deste concelho, conta-se o de Lizouros, pobre, sertanejo, que demora à raiz da serra da Travanca, vertente norte.
Dentro duma quinta, que, se não me engano, fazia parte do vinculo da ilustre família dos Azevedos, vê-se uma modesta ermida, com o seu pequeno adro, reconstruída há poucos anos, que tem a invocação de S.to Estevão.
Foi neste adro que encontrei a ara funerária, de que dou aqui a gravura.
A serrana povoação de Lizouros, outrora memorada pela sua nobre casa deste nome, onde nasceu o Beato Fr. Redempto da Cruz e onde pousou, segundo a tradição, D. Manuel I no seu regresso de S. Tiago de Compostela, de novo desperta a nossa atenção carinhosa, não pelos esquecidos pergaminhos da sua hieraldica, senão pelo arcaico monumento com que veio distinguir a arqueologia deste concelho,- uma ara funerária.
A situação da ermida, com as propriedades circunjacentes, constituindo uma larga cova, cujo aro são montes, a ninguém faria suspeitar ter havido ali, em tempos muito distanciados, um centro de culto religioso, dedicado a um dos deuses do paganismo.
E, contudo, o aparecimento desta lápide no adro de S.to Estevão, e mais duas, na substrucção do altar da ermida, assim o denunciam.
Não foi o acaso que me deparou esta relíquia do passado, mas a notícia de existir em S.to Estevão um «marco com letras».
Em Janeiro de 1908, de companhia com o meu colega solícito pároco de Cunha, sr. dr. Manuel J. da Cunha Rivas, dirigimo-nos à ermida, e lá fomos encontrar no adro, encravado no solo, ao alto, sentinela secular, que gerações passadas ali deixaram, esquecida, para atestar a vindoiros a piedade dos incolas sertanejos pelos seus mortos, o pretenso marco: uma ara.
Ao divisar, de distância, o capacete, ou cornija do monumento, tive logo o rebate de estar em presença de valioso documento arqueológico.
Assim era, com efeito.
O marco, a quem também ouvi chamar, uma vez, «cruzeirinho», era a ara de que me estou ocupando, na qual está gravada, conforme a pude ler, a seguinte inscrição:
- ↑ «Port. Ant. e Mod.» de Pinho Leal, vol. 3.º, pag. 131.