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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/75

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Gustavo César Morais de Almeida e João Pinto Casimiro Júnior - 2.ºs tenentes da brigada de marinha, e de uma força militar.

Reunida a Câmara Municipal e estando presentes aqueles oficiais, fez-se a aclamação da Rainha e a proclamação da Carta Constitucional, na sessão de 7 de Abril de 1834, sendo a acta assinada pelos vereadores - António Luiz Brandão Leite de Vasconcelos e José Ricardo Pereira de Castro, e pelo Juiz ordinário - Manuel José d'Antas Montenegro Figueiroa[1], Manuel José Pereira Pinto - procurador do concelho, e por mais alguns cidadãos[2].

Passados poucos dias, apenas dez (17 de Abril), o juiz de Fora - José Thomaz Pereira Rocha, demitiu o juiz ordinário, dissolveu a Câmara e nomeou interinamente, para aquele cargo - João Bento Pereira d'Antas, da casa de Vermoim, freguesia de Castanheira; para vereadores: - Miguel de Antas Bacelar Barbosa[3], Bento José Gonçalves Pereira[4], que ficou fiscal desta corporação, e Simão José Gonçalves.

Tomaram posse no dia 19 do mesmo mês, que lhes foi conferida pelo juiz demitido.

A 23 deste mesmo mês de Abril, era o juiz demitido nomeado almotacé, assim como o ex-vereador - António Luís Brandão Leite de Vasconcelos, que foram exonerados destes cargos um mês depois,- em 23 de Maio.

Entretanto, a aclamação da Rainha e a proclamação da Carta podiam ser inquinadas da pécha de - intervenção armada -, visto terem tomado parte nelas a força militar e uma comissão de oficiais do exército.

Cumpria afastar esta suspeição, e por isso foi convocada uma sessão extraordinária (27 de Maio), para se repetirem, «solenemente», aqueles actos.

Levada a efeito, consignou-se na acta que, segundo o direito público, a coroa de Portugal pertencia ao Duque de Bragança - D. Pedro; e por acto de abdicação, a sua filha, e que «da usurpação do governo e da lei fundamental, só tinha resultado a guerra civil e incalculável número de desgraças».

Quem pública e solenemente, fazia tais afirmações, não era refractário às novas ideias.


  1. Era presidente da Câmara.
  2. Foram: João António Gomes, Felisberto Gonçalves Pereira, António Bento de Castro, Domingos Gonçalves Pereira, Fernando António Mendes da Silva Freire, António Gusmão Rodrigues, João Pedro da Cunha Lima, Bento José Gonçalves Pereira, João Ventura de Sousa Araújo e Cruz e o secretário da Câmara, - António José Freire de Andrade.
  3. Era o membro mais simpático e popular da casa do Outeiro, freguesia de Agualonga. Exerceu todos os cargos públicos mais importantes da administração concelhia. Figura esbelta, agigantada, erecta e bem proporcionada, dava na vista e salientava-se pela sua apresentação distinta. Quando D. Maria II veio a Viana do Castelo, não lhe escapou o porte gracioso e dominante do administrador do concelho de Coura, que era ele, e mandou chamá-lo à sua presença para, mais de perto, lhe admirar a máscula beleza. Querido do povo, foi pranteado, sinceramente, por todos e sobretudo pelos pobres e humildes, a quem tratava com afecto paternal. Poucos dias depois de sepultado, os paroquianos da sua freguesia, em um movimento de impulsiva saudade, tentaram desenterrar-lhe o cadáver, para o ver! Foi inhumado à porta da paroquial de Agualonga, pela parte externa.
  4. Era pai do falecido conselheiro e Par do Reino Miguel Dantas Gonçalves Pereira e este, afilhado do outro Miguel d'Antas Bacelar Barbosa, já referido. Em 1835 foi nomeado secretário da Câmara, e em 1836 da administração do concelho, acumulando os dois lugares. Liberal, apoiou sempre a casa do Outeiro, com cujos membros manteve sempre a maior intimidade e cordialidade.