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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/76

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A concorrência foi selecta e numerosa, pois 108 pessoas, de representação, assinaram a acta, e, entre elas, além do presidente, o juiz dos Orfãos - António Luiz da Cunha Martins[1], o Procurador do concelho, 1 tenente-coronel, 1 major, 3 capitães, 1 tenente, 1 alferes, 1 sargento, todos de Milicias; todos os párocos (excepto os de Vascões e Paredes) e 16 sacerdotes.

Entretanto, paixões mal reprezadas e quiçá desforços do partido vencedor, compeliram a praticar um acto sem razão de ser, como foi arrancar dos livros das actas «todos os actos praticados no tempo da usurpação e fazer a sua remessa para a cabeça da comarca». Mas as ordens da Prefeitura[2], transmitidas pelo Corregedor António Barbosa Pereira Couceiro Marreca, foram estas, embora se não recomendassem pela tolerância, nem pelo zelo do interesse público.

Não é fácil documentar, agora, a história da administração municipal neste concelho sob o regimen absolutista.

A relativa tranquilidade que aqui tinha havido durante o acidentado e laborioso período das lutas civis, não autorizava medida tão violenta. Contudo, a Câmara tem a desculpá-la não só a sua subordinação à Prefeitura, mas o entusiasmo pela causa que perfilhara, agora vitoriosa.

Demais, a vindicta pode dizer-se que não se exerceu neste concelho, pois apenas foi suspenso o escrivão, interino, dos Orfãos - António José Fernandes de Mendonça (22 de Outubro de 1834) «por ser um revolucionário de primeira ordem, acostumado a dar juramentos falsos contra os amantes das instituições e da Augusta Rainha a Senhora D. Maria I»[3].

Vê-se, pois, que, a despeito de quaisquer ideias legitimistas e apego à causa de D. Miguel, não foi muito laboriosa a implantação do novo regime neste concelho.

Ou por conveniência e cálculo, ou por convicção, as classes preponderantes aceitaram-no facilmente e, com elas, o povo.

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Como vimos, a Câmara foi dissolvida, sendo chamados três cidadãos para a substituir na administração interina dos negócios municipais. Urgia, pois, regularizar este estado de coisas, procedendo-se à eleição municipal.

De facto, pouco tempo depois, realizou-se a primeira eleição em 22 de Junho, de 1834, sendo eleitos: Miguel d'Antas Bacelar e Barbosa, com 75 votos, Bento José Gonçalves Pereira, com 58, Simão Gonçalves da Cunha, com 50, António Brandão Leite de Vasconcelos, com 30, e António Bento da Rocha Freire de Andrade, com 19.

No dia imediato, tomou posse a nova vereação, que nomeou para secretário Francisco António da Silva Freire.

Iniciou os melhoramentos locais, deliberando proceder à reconstrução do antigo alpendre, para aí serem expostos à venda o pão-trigo, vinho, azeite, peixe, fruta e ficar mais desafogada a feira (sessão de 11 de Outubro).


  1. Era meu avó materno.
  2. A Perfeitura da província do Minho tinha a sede na cidade de Braga.
  3. Sendo mandada ouvir a Câmara acerca da conduta do dito escrivão, esta informou, por unanimidade: 1.º que ele, em 1828, quebrou os telhados de Clemente José d'Almeida, de Mozelos, e durante três noites consecutivas lhe deu tiros pelas janelas; 2.º que levantou três forcas de madeira, dizendo que uma era para o juiz, outra para o mencionado Clemente e a terceira para Francisco Joaquim Pereira, de Padornelo; 3.º que foi o mesmo Mendonça quem levou ao guerrilheiro Lindo a relação dos constitucionais; 4.º que, quando este veio cercar Valença, tomou o pão e os gados dos constitucionais relacionados, em proveito do referido escrivão.