O alpendre era situado na «praça pública». E onde era esta praça?
Segundo pode depreender-se da acta, aliás pouco clara, confrontava pelo nascente com a casa de Manuel José Barreiros[1] e capela de S. Braz, do poente com as escadas, do norte com a calçada[2], e do sul com as escadas do Pelourinho[3] (sess. de Novembro).
Não deve ficar em silêncio a forma; verdadeiramente modelar, como se compreendia, naquele tempo-de lutas e de princípios-a liberdade eleitoral.
Basta lembrar que, para a eleição municipal de 1835, recaíram os votos dos eleitores em quarenta e cinco cidadãos!
E, seguidamente, até 1846, a multiplicidade dos votados denuncia, flagrantemente, a isenção e independência dos eleitores, de par com processos muito diversos dos de agora.
Bons tempos, em que a escolha dos seus delegados era feita pelo povo!
A chapa e a chapelada ou não eram conhecidas, ou tinham-se como fazenda avariada e de contrabando.
Mas esta acentuada e característica liberdade eleitoral tinha, de mais a mais, o superior merecimento de fazer lembrados, para eleições futuras, nomes respeitáveis que, se na ocasião não obtinham vencimento, não tardava que o povo os fosse procurar, dando-lhes a votação precisa para serem eleitos.
Só assim é que poderá explicar-se o facto sintomático de serem chamados à vereação ou à presidência, como que por escala, cidadãos que em eleições anteriores apenas tinham obtido insignificante minoria.
Outro resultado desta liberdade foi que, em poucos anos, estava confeccionada, pela manifestação da urna, farta lista de considerados cidadãos, para o exercício dos cargos da administração pública.
Por isso, tanto para a vereação, como para o Conselho municipal, eram sempre eleitos cidadãos de reconhecida respeitabilidade e representação social.
Por aquele sistema, como que se ia fazendo, a pouco e pouco, uma selecção dos indivíduos que o povo, oportunamente, escolhia para lhe administrar os seus negócios municipais.
A mesma repartição dos impostos, quer do Estado, quer do município, tão simples, sem deduções para a burocracia, sem tutelas deprimentes para as corporações administrativas, em que agora se aceita, como ouro de lei, a desconfiança, e se arvora em princípio redentor a negação legal da probidade dessas mesmas corporações, porque outra coisa não são tais tutelas-: essa repartição e lança-
- ↑ Havia nela uns cachorros de pedra, que serviam de apoio ao antigo alpendre.
- ↑ Creio ser a antiga calçada, em frente da casa da Botica, a qual foi aterrada, pouco depois da construção da estrada real. n.º 24, sendo incorporado o seu leito no quintal do sr. José Maria A. da Costa.
- ↑ O Pelourinho estava colocado em frente do pátio do antigo tribunal e casa da Câmara (Paços do Concelho). Do lado poente do Pelourinho ficava a antiga cadeia, que ocupava um terreno hoje pertencente ao sr. José Guilherme Machado e aos herdeiros de Manuel Gonçalves Pereira. A cadeia foi apeada quando se construíu a actual, sendo posto em praça, pela Câmara, o terreno que ela ocupava. Fazia frente para a actual rua - Dr. Albano Barreiros.