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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/78

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mento dizia bem com a integridade da fé política, com a austeridade de carácter desses que vinham de lutar.

Bem certo é que, quanto mais nos imos afastando desses tempos, tanto maior é a decadência política, e mais nos deixamos sugestionar por uma falsa disciplina partidária, cujos resultados, no concerto geral, são problemáticos, para não dizer perniciosos.

Disciplina que roça pela subserviência, é a abdicação dos direitos - de cidade.

Também a água, quanto mais distante da nascente se colhe, menos pura se bebe.

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O imposto municipal, para o ano de 1835, foi votado na importância de 587$200 réis.

Neste ano, foi mandado reconstruir o pontelhão do Bouço, entre as freguesias de Formariz e Ferreira, sendo arrematada a obra pela quantia de 19$200 réis!

O preço parece indicar, apenas um remendo; e contudo as respectivas condições denunciam um trabalho importante, pois que a ponte devia ter um arco de pedra, com a abertura de 14 palmos e 7 de altura, acima da água; as aduelas seriam a pico miudo, com 1 palmo e 3 quartos de leito. O arco, na parte superior externa, seria ladrilhado, de junta fechada; e o prazo para a conclusão da obra não chegava a um mês. O arrematante foi o pedreiro José da Cunha, da freguesia de Formariz[1].

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Vê-se do que fica dito que eram diminutíssimos os réditos da Câmara, e que foram extremamente modestos os seus empreendimentos materiais para beneficiar o concelho.

E, nesta linha de conduta, se conservaram as nossas vereações, até lhes timonar o leme a ousada iniciativa desse benemérito conterrâneo que se chamou Miguel Dantas Gonçalves Pereira, cuja administração municipal, pela larguesa de vistas, obras realizadas e fomento concelhio, fez a ressurreição deste concelho.

Quem percorrer as actas desse tempo, fica maravilhado com a febre de tanta iniciativa e de tanto melhoramento efectuado.

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Para o ano de 1836 foram orçadas as despesas municipais em 600 000 réis, lançando-se um imposto indirecto, na importância de 200 000 réis[2].

A contribuição directa - 400 000 réis- foi repartida pelas freguesias.

Neste ano, foi reconstruído o pátio dos antigos Paços do Concelho, sendo adjudicada a obra a José Caetano Dias, da freguesia de Paredes, pela quantia de 18$000 réis!

Como mera curiosidade, deixarei consignado que a Câmara (sess. de 4 de Novembro) mostrou interessar-se pela toilette do seu Porteiro, a ponto de mandar dar-lhe um vestuário, por ele «andar indecente e incapaz de aparecer diante de gente».


  1. Penso que esta obra não foi feita então, mas mais tarde, e alterado o plano, porque o pontelhão do Bouço tem três arcos.
  2. Recaiu sobre os seguintes géneros: arroba de açúcar - 100 réis; dita de arroz - 100 réis; dita de vaca - 160 réis; cabaço de azeite - 120 réis; dito de graxa - 120 réis; alqueire de sal - 5 réis; cesto de sardinha - 20 réis; dito de peixe grande - 30 réis; dito de pão-trigo - 40 réis; dito de semea ou centeio - 20 réis. Foi arrematante Francisco Bento Pereira, do lugar de Passos, freguesia de Cerdal (Valença).