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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/82

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Tarifa dos géneros, no ano de 1838, para efeito das côngruas paroquiais


Ponho ponto neste capítulo, dando à estampa uma curiosa produção poética do tempo da Patuleia.

É uma quadra que, lidos os versos ao inteiro, são uma apologia dos Cartistas; e, lidos somente até à linha plicada, decompõe-se em duas quadras, a primeira das quais é um testemunho de adesão aos setembristas e a segunda aos cartistas.

Segue a poesia:

"Nunca gostei ‡ da Junta do Porto
De quem é Carlista ‡ sempre gostei;
Sempre servi ‡ leal ao throno
Um Setembrista ‡ nunca serei.,,

[1]


CAPÍTULO XI


O cisma religioso de 1838, em Coura


TALVEZ vá alguém sorrir-se da epígrafe que encima este capítulo, supondo que se trata de condimentar alguma arama, de sabor americano.

Não trata.

O facto é, absolutamente, verdadeiro e traduz, apenas, a repercussão do cisma que irrompeu no país e principalmente na arquidiocese de Braga, depois de 1834.

As autoridades locais - administrativas, judiciais e eclesiásticas - andaram em papos de aranha por causa desta pavorosa, conhecida, aqui, pela designação de - Egrejinha.

O singular acontecimento consta de um processo, cujo original está em meu poder, e que teve por base este ofício:

«Ill.mo e Rev.mo Snr.[2] Tenho o dissabor de levar ao conhecimento de V. S.a que, a alguns dias esta parte se. tem desenvolvido o scisma religioso nas freguezias de Insalde, Porreiras e Ferreira, d'este concelho, chegando no


  1. Ao meu bom amigo Júlio de Lemos, inteligente e ilustrado secretário da Câmara Municipal deste concelho, autor das «Campesinas», abalizado publicista e bonestissimo funcionário, devo a leitura do arquivo daquela corporação, por ele organizado, assim como lhe devo valiosa cooperação e estímulo. Aqui lhe deixo, afectuosamente, o protesto da minha gratidão.
  2. Vigário Geral da comarca eclesiástica de Valença, que, ao tempo, era o abade de Gandra - R. João Marques da Costa.