patético, clamando ao auditório, que andava foragido havia quatro anos (desde 1834), «dormindo por matos, tojais e devezas».
Mas o pároco não transigia: ouviu, mas não se converteu.
Resultado: suspensão imediata e nomeado para o seu lugar o Rev.do Manuel de Brito Galvão.
Vê-se que o P.e Meireles era de um radicalismo feroz: «ou crês ou morres».
Interveio, então, o Vigário Geral, solicitado pelo ofício, que já vimos, da autoridade administrativa:
Foi «devassar» à freguesia das Porreiras; e, organizado o processo, deu-se vista ao Promotor eclesiástico.
Depois foi submetido o caso à apreciação do Ordinário.
No entrementes, a autoridade administrativa denunciara mais o abade da freguesia de Mozelos - Rev.do José Francisco Alves da Cunha, seguindo-se também devassa contra ele.
Em 24 de Novembro, do mesmo ano, o processo foi remetido ao Vigário-Capitular de Braga, que - sede vacante - estava governando o arcebispado; e, este, por sua vez, depois de aplicar aos denunciados penas canónicas, remeteu o feito ao juiz de direito dos Arcos de Valdevez, para ele proceder, em vista dos sumários[1].
O magistrado judicial daquela comarca mandou o processo para o juiz de Coura, acompanhado de um ofício em que lhe fazia ver que era «gravissima» a culpa de fr. António da Falperra, assim como a dos outros sacerdotes, cujos nomes indicava, e que, por isso, os pronunciasse, «se ainda não estavam pronunciados».
Não me foi possível averiguar o resultado final do processo, contra os cismáticos, mas creio que, no temporal, não teve mais andamento, a julgar pelo original, em meu poder.
Vimos que fr. António, egresso do convento da Falperra, estava na cabeceira do rol, pois era ele o «Delegado Apostólico», e fora ele a origem do cisma, dizia-se.
Mas quem era fr. António da Falperra? Era um courense ilustrado, caritativo e humilde.
Vinha do convento. Virtuoso e dedicado às coisas de Deus, morreu em cheiro de santidade.
Nasceu no lugar da Lama, freguesia de Parada, deste concelho, sendo filho legítimo de Francisco Fernandes e de sua mulher Maria Josefa d'Araújo, modestos, mas honrados lavradores.
Desde tenros anos, mostrou vocação para o sacerdócio, mas seus pais, por falta de meios, não o deixavam estudar.
A custo consentiram que ele frequentasse gramática latina, com o professor régio António Pereira, no lugar da Marnóta, freguesia de Formariz[2], onde funcionava esta cadeira.