Ir para o conteúdo

Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/86

Wikisource, a biblioteca livre

As suas obras, publicadas pela imprensa, mostram que fr. António era um erudito e escritor distinto.

Lembrarei: «Tratado de Direito Público», «História Breve e Clara das Leis Humanas», «Análise dos erros contra a religião que contém a Carta Constitucional», «Voz da Igreja», «Doutrina da Igreja Galicana sobre o cisma», «Clamor do povo fiel», e «Exposição da fé que professam os párocos e presbíteros de Portugal».

Esta última é dedicada «à, memória e ortodoxia do Ex.mo e Rev.mo Sr. D. António da Veiga, Bispo de Bragança», de quem fr. António foi discípulo e amigo dedicado[1].

O Papa Pio VII deu-lhe um Breve para residir em qualquer parte da cristandade, apenas com a obrigação de o participar ao seu Geral.


CAPÍTULO XII


Criação da Comarca


A CRIAÇÃO da comarca de Paredes de Coura deve considerar-se como marco miliário, que delimita dois períodos, bem diferenciados, na vida do concelho.

O primeiro, até 1875, denuncia-se pelo ostracismo a que tinha sido votado pelo poder central; o segundo, que é uma redenção, assinala-se pelo seu ressurgimento para a comunhão dos benefícios públicos, de que, sistematicamente, andava alheado.

Judicialmente, estava o concelho integrado na comarca de Valença, cuja sede dista 20 kilómetros daqui.

«Paredes de Coura teve também a sua época de decadência. Há trinta anos estava reduzida às mais humildes condições, sem edifícios aparatosos, pouco povoada, enfim em uma quase pobreza franciscana. Desse estado conseguiu levantar-se, mercê da dedicação do Sr. Miguel Dantas e outros cavalheiros, a quem muito deve a vila. Paredes de Coura, mercê dessa benemérita protecção, tornou-se uma


  1. «Progresso Catholico», de Guimarães, n.° 8, ano de 1887; e «Portugal Antigo e Moderno», vol. 12, pág. 1496, e 1509.