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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/88

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que extinguia os juizes ordinários, a vereação daquele tempo peticionou, junto dos altos poderes do Estado, este melhoramento, alegando, além de outras razões, que este concelho era o terceiro, do distrito, em rendimento colectável.

No ano seguinte, 13 de Julho, vieram as Juntas de Paróquia em reforço da petição camarária, visto que a lei de 27 de Junho, deste ano (1867), autorizava a criação de comarcas nos julgados que tivessem 9.000 fogos, e uma quarta parte da sua população ficasse a mais de 15 kilómetros da cabeça da comarca.

Parece que esta lei fora, intencionalmente, promulgada, para atender as nossas reiteradas reclamações.

É, até, natural que alguém acariciasse, então, uma risonha esperança.

Mas... «quartel em Abrantes...» e o sonho doirado foi...fumo, que se perdeu no espaço.

Um melhoramento a menos, e uma decepção a mais, para este povo.

***

Mais tarde, em 1874, aparecia a lei de 16 de Abril, modelada pela de 27 de Junho, de 1867, já citada, que autorizava a criação de - trinta comarcas, no país.

Era deputado por aqui o conselheiro Manuel Bento da Rocha Peixoto, natural da Ponte da Barca, e estava na pasta da justiça o conselheiro Augusto César Barjona de Freitas.

Aquele, fácil em promessas, foi abordado por alguns filhos de Coura, ao tempo em evidência, os quais solicitaram do seu representante em Cortes o patrocínio da nossa sempre protelada pretensão.

Dizer que a promessa do deputado, enfeitada de graciosos protestos de bons serviços, não se fez esperar, seria uma redundância: era escola.

Mas o deputado..., natural da Barca, também pretendia uma comarca para a sua terra.

Ele - o conselheiro Rocha Peixoto - chegou a afirmar que o ministro lhe tinha prometido duas comarcas; mas, optava pela de... Paredes de Coura!

Era caso para lhe observar: timeo Danaos.

Mas foi contemporizando com a Comissão japonesa[1], à espera de ser consumado o logro de ser criada, apenas, a comarca da Ponte da Barca, e não a de Paredes de Coura.

Felizmente, para nós, o jogo foi-lhe descoberto a tempo.

***

É precisamente, nesta altura que se destacam e evidenciam os três beneméritos - José Luiz Nogueira, depois Visconde de Mozelos, dr. Albano A. Barreiros de Oliveira e José Joaquim Gomes, pois foram eles que constituiram o dedicado triunvirato, a quem o povo deu credenciais, não só para lhe fazer valer os seus direitos, mas para defrontar-se com a - velha raposa[2].

O Visconde de Moselos mantinha boas relações de amizade com um cavalheiro, do Porto, cujo nome me não ocorre; e este, por sua parte, estava nas boas graças do


  1. Era assim que este deputado cognominava o grupo de dedicados courenses, que se empenhavam pela realização da criação da comarca.
  2. Por este nome de guerra, é que o deputado Rocha Peixoto era conhecido.