v. 6, n. 11, p. 01-13 junho 2013
olhadela, apertão por apertão. Conjuguemos os nossos interesses, e um pouco também os nossos sentimentos; para estes há um elo, a liberdade; para aqueles, há outro, que é o trabalho; e o que são o trabalho e a liberdade senão as duas grandes necessidades do homem? Com um e outro se conquistam a ciência, a prosperidade e a ventura pública. Esta nova linha de navegação afigura-se-me que não é uma simples linha de barcos. Já conhecemos melhor os Estados Unidos, já eles começam a conhecer-nos melhor. Conheçamo-nos de todo, e o proveito será comum."[1]
Ele nos conhecia — "são a terra das coisas altas, rápidas e infinitas, vastas construções e desastres vastos, cidades feitas em três meses e desfeitas em três horas, para se refazerem em três dias, vendavais que arrancam florestas, como o vento do outono as simples folhas de arbustos, e uma guerra civil, que se não pareceu com outra qualquer moderna ou antiga."[2]
É fácil acreditar que nem a bomba atômica nem o voo supersônico, nem qualquer outro horror ou extravagância nossa teria surpreendido Machado de Assis. Ele resumiu nosso caráter nestas simples palavras: "Há ideias que só podem surgir da cabeça de um norte-americano."[3]
Mas se Machado gostava de nós, com a loucura e tudo o mais, se ele amava a língua inglesa, naturalmente ele gostava mais do português, do Brasil e do Rio de Janeiro, que ele chama de a "boa cidade que me viu nascer, e me verá morrer, se Deus me der vida e saúde. [...] Eu, que amo a minha Carioca... amo também aqueles que a amam também e que falam bem dela...[4] Eu sou um peco fruto da capital, onde nasci, vivo e creio que hei de morrer."[5]
É verdade que ele nunca se afastou mais de cem quilômetros dos limites da cidade do Rio de Janeiro, embora conhecesse o Brasil — todo ele. Seus escritos apresentam o Brasil para nós — brasileiros de todos os tempos, de todas as regiões, deFundação Casa de Rui Barbosa – R. São Clemente, 134, Botafogo – 22260-000 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
- ↑ [In: ASSIS, Machado de. Notas semanais. Org. John Gledson e Lúcia Granja. Campinas: Editora da Unicamp, 2008, p. 93.]
- ↑ [ASSIS, Machado de. A Semana 3º volume (1895-1900). Rio de Janeiro: Jackson, 1950, p. 332.]
- ↑ No original não há a referência e não pude identificar onde está essa frase. [N.T.]
- ↑ No original não há a referência e não pude identificar de onde foi traduzida essa frase. [N.T.]
- ↑ [Carta a José Veríssimo, Rio de Janeiro, 1° de dezembro de 1897. In: Correspondência de Machado de Assis: tomo III, 1890-1900. Coordenação e orientação Sergio Paulo Rouanet; reunida, organizada e comentada por Irene Moutinho e Sílvia Eleutério. Rio de Janeiro: ABL, 2011, p. 271.]