— 16 —
lanternas venezianas, pomos de papel enormes, de uma uberdade carnavalesca. Eu ia carregado, no impulso da multidão. Meu pai prendia-me solidamente o pulso, que me não extraviasse.
Mergulhado na onda, eu tinha que olhar para cima, para respirar. Adiante de mim, ia um sujeito que me fez vontade de rir; levava de fóra a fralda da camisa, por entre as abas do paletot novinho. Verifiquei que era o lenço. Do chão subia um cheiro de canella esmagada; sobre mim, através das arvores, com intervallos, passavam rajadas de musica, vindas de longe como de uma tempestade de philarmonicas. Soffrido um ultimo aperto mais rijo, ao transpor um córte de muro, senti-me livre.
Em frente, um gramai vastíssimo. Rodeava-o uma ala de galhardetes, contentes no espaço, com o pittoresco dos tons energicos cantando vivo sobre a harmoniosa surdina do verde das montanhas. Por todos os lados apinhava-se o povo. Voltando-me, divisei, ao longo do muro, duas linhas de estrado com cadeiras quasi exclusivamente occupadas por senhoras, fulgindo os vestuarios, em violenta confusão de colorido. Algumas protegiam o olhar com a mão enluvada, com o leque,