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- Daqui até lá não tem nem um quarto de legua - podemos ir conversando pelo caminho.
- Pois vamos.
O indio pegou em sua ferramenta, o alvião, o
almocafre e o carumbé, o filho fez outrotanto e puzeram-se os tres a caminho, Gaspar, o bugre velho e o moço.
Gaspar que marchava atraz, observando-os com attenção, notou que tanto um como outro traziam ao pescoço, em vez dos enfeites selvaticos, rosa.rios e bentinhos; comprehendeu que eram já cathechizados e christãos e tratou de entabolar conversação com elles.
- Então, como te chamas, meu velho.
- Quando estava com os meus companheiros do matto me chamavam Tacapemba, e a este colomim, que é meu filho, Jurucy. Mas sinhô Padre Faria quando nos baptizou, me botou nome de José e a este o de Francisco.
- Ha muito tempo que estão em poder dos brancos?
- Ha muito mais de dez annos.
- Já deviam estar acostumados a servil-os; mas pelo ar de abatimento em que os vejo, parece-me não estarem ta:o satisfeitos como os outros trabalhadores deste povoado.
- Que quer, meu branco? a edade é muita e eu tenho padecido tanto!...
- Pois o Padre Faria não os trata bem ?
- Muito bem, o sinhô Padre é um santo homem e nos trata muito bem, mas uns malvados emboabas, que nos agarraram no matto á traição, a mim, a
minha mulher e a meus colomins, que eram quatro, mataram o mais velho que procurou resistir; a menina, que já era grandinha, foi dada a um perro de paulista velho que, em pouco tempo, a poder de maldade, enviou a pobrezinha para o outro mundo. O segundo, que era um rapazito muito vivo e muito bomzinho, foi enviado para longe, para S. Paulo do Piratininga; e, por mais que me diga o sinhô Padre
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