Página:O Momento Literario (1908).pdf/290

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característica de escola literária, nem mesmo simples intuito de agrupar espíritos, sob distintos pontos de vista. Não há, nem nunca houve, escolas literárias: em arte, há espíritos criadores e espíritos medíocres. A observação que a este respeito fez Remy de Gourmont é verdadeira e interessante. "Há, escreve ele, duas maneiras de pensar: ou aceitar tais quais estão em uso as idéias e as associações de idéias, ou se entregar, por conta própria, a novas associações e, o que é mais raro, a originais associações de idéias. A inteligência capaz de tais esforços é mais ou menos, segundo o grau a abundância e a vaidade de seus dons, uma inteligência criadora."

A arte, pelo menos a verdadeira arte, nada tem de convencional, nem se confina num círculo estreito, de produtos de ofício ou de simples amadores. A obra de arte não se naturaliza em escola alguma. Já vai longe o tempo em que se procurava encerrar em fórmulas estreitas, classificar em escolas, como se rotulam produtos de fábrica, as múltiplas manifestações de arte que, aliás, é una e indivisível. O artista que se sente forte e capaz, consciente do seu valor e da sua missão na terra, não necessita desses entraves morais, que na verdade, são os sistemas e as doutrinas. O legítimo espiritual triunfa sempre; não admite escolas; é indiferente às preocupações de cenáculo;