de iguarias, e os homens disposeram-se a ceiar com appetite.
A’ luz de um antigo candieiro de kerosene reverberava uma toalha clara, de linho. Os copos emborcados, polidos, a louça escaldada, limpa. As garrafas brancas, cheias de vinho de cajú, reflectiam na toalha scintillações auriferas; os talheres de ferro, inteiriços, pezados, estavam de neve; uma torta de camarões estalava sua crosta d’ovos; um frangão assado tinha a immobilidade resignada de um paciente; uma cuia de farinha secca symetrisava com uma outra de farinha d’agoa; uma travessa enorme de arroz, solto, melhor que o da India ou das outras provincias do Brasil, fumegava no centro da meza.
Sentia-se a gente bem ali, com aquelle asseio e tratado pela franqueza rude do Cancella.
— Olé! gritou elle, destapando uma fumegante terrina de mundubés e fidalgos—temos peixe de escabeche?! Bravo!—peixe muqueado e muquecas de sururu! Olhem que este não é do rio e por isso não se pilha por cá todos os dias! tem escamas, seu Manoel!—Famoso! famoso!dêm-lhe p’ra baixo! dêm-lhe p’ra baixo!—Assim! assim! misture a farinha no môlho!
E levava a bocca grandes garfadas.
—Então as senhoras não nos fazem companhia?! reclamou Raymundo, voltando-se para as duas mulheres.
—Qual! apressou-se Cancella a responder—não