Página:O Mysterio da Estrada de Cintra (1894).pdf/166

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«Minha prima.

«Na rua de... n.^o... acham-se n’este momento reunidos diante de um cadaver os seguintes homens: (seguiam-se os nossos nomes). É um tribunal supremo constituido pelo acaso e que vae julgar em derradeira e unica instancia o crime sujeito pela fatalidade á nossa jurisdicção. Se em presença d’este tribunal a minha prima tiver que depôr, peço-lhe que o faça.»

— Perdão... — observei eu. — Peço licença para accrescentar uma linha:

«A. M. C. não devolve a chave.»


✻ ✻ ✻


Elle escreveu o que dictei, assignou, dobrou o papel, e disse a um dos seus amigos:

— Vae já entregar este escripto á condessa de W...

Meia hora depois uma carruagem que percorrera a rua a galope parou á porta do predio em que estavamos. Rolámos para dentro da alcova o sofá em que se achava o cadaver, e cerrámos o reposteiro da sala. Abriu-se a porta, e a condessa entrou.

Seguira o alvitre que lhe propus. As vinte e quatro horas decorridas desde que eu a deixára até ao momento de partir para ali, tinha-as empregado em escrever com uma eloquencia apaixonada e febril a historia da sua desgraça. O caderno que lhe remetto encerra, senhor redactor, a copia da longa carta dirigida por ella a seu primo. Cedo o logar que estava occupando nas columnas do seu periodico á publicação d’este documento, que verdadeiramente se poderia chamar O auto de autópsia de um adultério.

Depois direi o destino que démos ao cadaver, e o fim que teve a condessa.