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DE F... AO MEDICO

 

I

 

Julho 21 à 1 hora da noite.

— Meu querido amigo.

— Ignoro se estás em tua casa, para onde te dirijo esta carta, ou se continuas, como eu, permanecendo aqui em carcere privado. Em qualquer dos casos, recebidas agora ou encontradas mais tarde, estas letras ficarão encerrando para aquelle de nós que houver de as ler a lembrança proveitosa das horas mais extraordinarias da nossa vida.

Escrevo mais para coordenar e fixar na memoria estes momentos do que para empregar n’outro destino puramente hypothetico esta carta. Será uma pagina das minhas confidencias que entregarei á discrição ou ao acaso da posta, reservando-me o direito de lhe pedir que m’as restitua a seu tempo.

Não tornei a ter noticias tuas desde que nos separámos hontem á noite, pouco tempo depois de termos entrado na sala em que estava o cadaver. O mascarado que se encarregára de me conduzir ao quarto onde me acho deu-me o seu braço e disse-me ao ouvido um nome de mulher, a indicação de uma rua e o numero de uma porta. Era o nome da pessoa que sabes e a designação da casa em que ella mora! Creio que involuntariamente estremeci, mas consegui dizer serenamente:

— Não o comprehendo.