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Página:O Selvagem (Senado Federal).pdf/183

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curso de lingua tupí viva ou nhehengatú
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Alguns jornaes fizeram reflexões a esta traducção, das quaes passo a tomar em consideração duas, por interessarem ao assumpto deste livro.

Na Nação estranharam que eu não traduzisse litteralmente a expressão — corpo diplomatico. Effectivamente eu não a traduzi litteralmente, assim como não traduzi litteralmente as palavras: conselheiros de estado, deputados, senadores, e servi-me das expressões: homens de governo da nossa patria, e homens de governo de outras patrias; traduzindo em uma lingua viva me não era licito o uso de expressões que nella não são intelligiveis.

O espirituoso folhetinista do Jornal do Commercio, que se assigna com o pseudonimo de Caipyra, perguntou-me se eu, usando do vocabulo portuguez baptismo, julgava que o selvagem me entendesse.

Eu não usei do termo portuguez e sim da expressão tupí cẹrúcaçáua, que indica a ceremonia da imposição do nome ao recemnascido. Certamente que o verbo cẹrúca, pelo qual os jesuitas traduziram a palavra baptisar, e o substantivo cẹrúcaçáua, baptismo, não indicam, entre os verdadeiros selvagens, a ceremonia christă. Tambem os mahometanos, budhistas, os antigos romanos não tinham o casamento christão, e nem por isso a palavra casamento é intraductivel em arabe, chinez, ou latim.

A reflexão recorda-me que em geral nós, os brazileiros da costa, pensamos que a lingua tupí só é