sariamente ter as mesmas fórmas que as das linguas aryanas por elles conhecidas; assim, esta oração: para ir para o céo é bom dar esmolas, elles dizem por esta duas fórmas: para gente vae ao céo é bom dá esmolla — míra oçọ́ arãma i̙uáka ketê catú retẹ́ omehen Tupãna potáua; ou então dizem: para nós vamos para o céo é bom nós damos esmolla. — Iaçọ́ arãma i̙uáka ketẹ́ catú retẹ́ ia mehẹ́n Tupãna putána.
23. Sempre que quizermos traduzir os infinitos portuguezes, usaremos d’este arãma com as particulas ãna, ou curí, segundo for passado ou futuro.
O leitor familiarisar-se-ha sem grande trabalho com essas differenças, por meio dos exercicios. Alguns soldados desertores tenho encontrado que, sem a menor educação litteraria, e só por terem vivido nas aldêas, fallam correctamente a lingua; e pois isto nada tem de difficil.
24. Idiotismos. O verbo putári querer, tem um mui singular modo de figurar na oração; sempre que elle vem junto com outro verbo, é esse outro verbo que recebe o prefixo pronominal, ao passo que elle fica invariavel, assim: eu quero ir para o Amazonas:
Xa çọ́ putári Suriman ketê, litteral: eu vou quer Amezonas para.
Quando querem dizer que vão mandar ou ordenar qualquer cousa ajuntam kári ao verbo, o qual é por sua vez verbo, que significa mandar; eu vou mandar chamar o meu povo: Xaço xa cenóin kári çe míraitá.