Página:O Tronco do Ipê (Volume I).djvu/32

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— É escusado, disse Mário. Não se emenda. Quanto mais você gritar, mais ela corre.

— Gosto de correr! Que tem isso agora? exclamou Alice voltando-se.

As crianças deixaram o jardim, atravessaram a horta, e entraram no vasto e sombrio pomar.

Seriam dez horas da manhã; fazia um belo dia de sol, mas bafejado por fresca viração. As águas do rio tinham a cor e o brilho da esmeralda; o céu estava acolchoado desse azul diáfano e macio, onde o olhar repousa deliciosamente, como em coxins de seda.

Um enxame de passarinhos de diversas cores esvoaçava chilreando entre as laranjeiras; e no meio desse concerto harmonioso, destacava como a rutilação do diamante entre as cintilações do cristal, a nota opulenta e sonora do sabiá; longe, formando o sombreado da esplêndida melodia, ressoava a endeixa plangente da juriti.

As crianças, e mais ainda os escravos, conservaram-se completamente indiferentes à beleza desse quadro, que a natureza tropical coloria ao mesmo tempo de luz e harmonia.

Naquela idade, e naquela condição, de ordinário