Página:O Tronco do Ipê (Volume I).djvu/56

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da floresta, alçando com soberba a régia coroa de esmeralda, parecia preceder a selva, que o rodeava como sua corte submissa e respeitosa. Não era então o tronco decepado que vi muito depois; estava em todo vigor, embora se notasse já, na cruz onde se abriam as ramas, uma caverna feita pela carcoma.

No fim da planície corria uma cadeia de penhascos, que descia verticalmente das altas colinas e submergia-se no leito do rio. O mais saliente desses penhascos sustentava na encosta uma cabana de sapé. De longe e visto de perfil, o rochedo parecia um tropeiro, derreado sobre o pescoço da mula e carregando às costas sua maca de viagem.

Nas abas dessas colinas de granito, do lado oposto à margem do rio, notava-se a vegetação especial, que revela a existência das águas dormentes e profundas. Talvez para os outros, os nenúfares e as plantas que vivem à borda dos lagos, não tenham como para mim, uma expressão melancólica e absorta. O mesmo sucede com os pássaros aquáticos; todos eles são taciturnos e graves.

Essa vaga tristeza é congênita das profundidades. Encontra-se nos abismos da terra,