Página:O Tronco do Ipê (Volume I).djvu/68

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— Merenda, minha nhanhã, um bocadinho. Estas rosquinhas de goma foram feitas mesmo para lhe mandar. Mas eu estou aqui amarrada nesta cama pelo reumatismo e pai Benedito tem sua obrigação!... O que a gente há de fazer?

Durante a merenda, o silêncio das vozes tornou mais sensível um surdo rumor, que desde princípio se ouvia na cabana. Parecia o eco subterrâneo do frêmito das ondas batendo em alguma praia muito remota.

— Que barulho é este? perguntou Adélia aplicando o ouvido. Será algum carro que vem da corte?

— Ah! quem dera! exclamou a Felícia.

Alice abaixou a voz e disse com um tom receoso e triste:

— É o boqueirão.

— O boqueirão?...

— Sim; onde morreu o pai de Mário.

— Cala a boca, nhanhã, não fala nisso. Depois, olha lá! ponderou a Eufrosina.

— Ah! já sei, exclamou Adélia; é um buraco muito fundo.

— Não, respondeu Alice. É um palácio encantado que há