Página:O cancioneiro portuguez da Vaticana (Zeitschrift für romanische Philologie, 1877).pdf/20

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o numero 38 com o nome do trovador Stevam Froyam; existem entre ellas leves variantes, mas como estão immensamente deturpadas, só pelos dois textos se reconstruem. Por este facto se vê, que houve compilação de dois cancioneiros, e que o copista mal percebia a letra e fazia selecção das canções.

A canção 116 e 174, do cancioneiro de Dom Diniz, são uma e mesma, havendo entre estes dois numeros variantes, e sobretudo a 2ª e 3ª estrophe alternadas. Não proviria isto dos originaes, escriptos por esmerados copistas, que se guardaram na Bibliotheca de el-rei Dom Duarte; este facto prova-nos, que o corpo das canções de Dom Diniz, que na collecção Vaticana occupa dos n.’os 80 até 208 proveiu de copias avulsas de differentes palacianos, e talvez do proprio Conde D. Pedro.

A canção 241, do trovador Payo Soares, apparece com o numero 413 repetida sob o nome de Affonso Eanes de Coton (Cordu); tem apenas uma rapida variante ortographica, mas tanto o facto da repetição, como o da attribuição a dois trovadores differentes accusam duas colleções parciaes.

A canções 457 e 469 pertencem a Ayres Nunes Clerigo e são uma unica, com a differença que as trez strophes de que constam, tem os versos baralhados sem systema; o que se explica pelo caracter jogralesco, isto é, que foram duas vezes colligidas no tempo em que eram cantadas a caprixo de Ayres Nunes ou de qualquer outro jogral, que as sabia de cór; ou então, que provieram de dois cancioneiros onde as duas canções se differenciavam pela razão acima indicada.

A sirvente 472 de Martim Moxa apparece sob o numero 1036, em nome de Lourenço, jograr de Sarria, com variantes fundamentaes, que provam compilação de dois cancioneiros diversos. O caracter sirventesco fez talvez que varios jograes regeitassem a paternidade d’essa canção que verbera os privados da côrte de D. Affonso III.

O numero 613 e 639 são uma mesma canção de João Ayres, burguez de Santiago; abundam as variantes entre estas duas composições, signal de que provieram de duas copias resultantes da monomania dos cancioneiros particulares. E sob o nome d’este mesmo trovador andam as duas canções repetidas 634 e 138, tendo esta ultima alem das variantes mais uma estrophe e um Cabo.

Em nome do jogral João Servando apparecem repetidas as canções 738 e 749 com variantes fundamentaes entre si:

Ora vou a Sam Servando,
donas, fazer romaria,
e nom me leixam com elas
hir, cá logo alá hiria
   por que vem hy meu amigo. (738)

Donas vam a Sam Servando
muytas hoje em romaria,