Página:O cancioneiro portuguez da Vaticana (Zeitschrift für romanische Philologie, 1877).pdf/21

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mais nom quiz oje mha madre
que foss’ eu hi este dia
   por que vem hy meu amigo. (749)

As outras variantes nas demais strophes são menos reparaveis, mas no numero 738 ha uma strophe a mais. A pequena distancia a que ficam uma da outra estas canções, provam-nos que o copista italiano transcreveu materialmente uma compilação já formada; e por tanto tudo quanto se pode concluir sobre estas canções identicas liga-se á formação d’esse cancioneiro perdido d’onde se trasladou o codice da Vaticana.

Dois casos especiaes se davam n’essa formação do antigo cancioneiro: 1° ou as canções se attribuiam na repetição a dois trovadores differentes taes como Sancho Sanches e Pero da Ponte, João de Guilhade e Stevam Froyam, Pay Soares e Affonso Eanes do Cotom, Martim Moxa e Lourenco Jograr; 2° ou se repetiam em nome do mesmo trovador, como Mem Rodrigues Tenoyro, el-rei D. Diniz, Ayres Nunes Clerigo, João Ayres, e João Servando. Para o primeiro caso conclue-se que contribuiram para a formação do grande cancioneiro pequenos cancioneiros trasladados de cantares dispersos, por curiosidade, ou tambem apanhados na corrente oral, porque um só collector notaria os plagiatos. Para o segundo caso poderiam os jograes terem contribuido com os seus cadernos de cantos e assim com lições differentes de um mesmo texto que se alterava pelas continuadas repetições.

De todo este confronto se conhece a necessidade de estabelecer por todos os meios possiveis ás relações entre este apographo da Vaticana e os dois cancioneiros de Colocci, perdido, e o da Ajuda.

(Schluss folgt)

Theofilo Braga.