Página:O culto do chá.pdf/44

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a vopor, fumegam chaminés e guincham engrenagens; e occupa-se no preparo um mundo feminino inqualificavel, escoria das cidades, esfarrapado, piolhoso, horripilante, que a gente vê sahir das fabricas á tarde como uma leva de mendigas, cheias de pó, de pustulas, de miseria. O fabrico do chá ao gosto americano consiste n'um segundo aquecimento em grandes fornos e na addição de varios productos, como o pó de uma certa pedra, soopstone, e o azul da Prussia. Assim é expedido.

Á introducção e vulgarisação do chá na terra japoneza deveu grande incremanto uma industria desde remotos tempos exercida,

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mas toscamente praticada, — a ceramica,— que havia de alcançar com o correr dos tempos um supremo grau de perfeição como arte nacional. A conservação da preciosa folha, exigindo escrupulos inauditos para reter o seu perfume, marcou o ponto de partida. Foi Toshiro, um oleiro da aldeia de Seto, na provincia de Owari, quem fabricou os primeiros boiões para guardar o chá, empregando processos que aprendera na China, respeirantes á perfeição da pasta e dos esmaltes. Passava-se isto ha sete seculos; e é curioso registar que seto-mono (objecto de Seto) é ainda hoje o nome consagrado para indicar qualquer artigo de ceramica.

Dos boiões, passou-se gradualmente ás chavenas, aos bules, á gentil e complicada baixella que a infusão foi reclamando e o