Página:O missionário.djvu/163

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Fidêncio começou, narrando:

- João Pinheiro era um fazendeiro apatacado, mas muito amigo de guardar o que tinha. A fazenda dele ficava à beira da estrada e era escolhida pelos viajantes para descansarem durante as horas mais quentes do dia, pois era justamente no meio do caminho da cidade... da cidade... enfim, duma cidade para outra. Sempre que chegava algum viajante, João Pinheiro gritava para dentro:

- Moleque, traze café para este homem.

O moleque, lá de dentro, respondia:

- Já, sim, siô.

O viajante ficava com a boca doce, esperando refrescar-se com o cafedório do João Pinheiro.

Passava um quarto de hora... e nada.

- Moleque, olha esse café! gritava o fazendeiro.

- Já vai, sim, siô.

O viajante, que já estava com a garganta seca de engolir em falso, concebia uma esperança.