Página:O missionário.djvu/383

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


da meia-noite, pela impaciência em que estava o senhor vigário de deixar quanto antes o Paraná-mirim e de chegar às águas volumosas do Amazonas.

Macário não gostara da lembrança de sair à meia-noite, já por duas vezes seguidas interrompia o sono da madrugada, e a dormida sobre a tolda do igarité não era tão agradável como na casinha do pescador, rústica e pobre, mas que tinha os seus encantos por uma vez.

Não fossem lá pensar que Macário era inimigo da rusticidade campestre, uma vez na vida! Quando amanhecera, já na corrente principal do grande rio, apertado pelas altas ribanceiras que o impedem de invadir todas as terras, padre Antônio gritara aos rapazes que remassem, porque o céu ameaçava tempestade. Macário olhara para o céu. Uma nuvem negra vinha vindo do sul, e com grande velocidade crescia para todos os pontos, alastrando como um borrão de tinta. A perspectiva não era das mais risonhas. Às duas horas da tarde, quando mais intenso