Página:O missionário.djvu/419

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


e quando mais enlevado estava, sentindo-se atordoado pelo ruído argentino dos sinos, e excitado pela presença da formosa criatura que lhe ocupava os pensamentos, ouviu a voz sonora e grave de padre Antônio de Morais, cortando subitamente o ar, como se o chicoteasse em pleno rosto:

- Sabe que mais, Macário? Vamos continuar a viagem, esta madrugada.

Macário despertou esfregando os olhos. A Luísa, os sinos, o adro, o capitão Fonseca, o Dr. Natividade, o povo todo sumiu-se na penumbra. Macário pulou da rede, ainda entontecido pelo sonho em que se deleitava. Sonhara mesmo, ou estava sonhando agora, ouvindo falar em viagem aquela madrugada? Fora um pesadelo que lhe dera pela muita banana que comera ao jantar? Ai, não! À beira da rede estava o padre, de olhos febris e fisionomia dura, a repetir-lhe:

- Vamos continuar a viagem esta madrugada.

Macário não acreditava. O ardor do