Página:O missionário.djvu/721

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da rapariga, padre Antônio pôs-se a pensar em Silves, nos seus paroquianos, na recepção que o esperava e no futuro que o aguardava lá, bem longe desse paraíso que deixara entre os castanhais sombrios.

Sentado no fundo do ubá, com a cabeça descoberta, tinha os olhos embebidos na vaguidão do espaço, e cismava, silencioso e imóvel, indiferente à marcha da embarcação que o levava ao seu destino.

A narração do capitão Fonseca acalmava os sobressaltos e receios que lhe havia causado a história do Felisberto ultimamente. Tudo lhe indicava que a sua falta não seria descoberta. A força inventiva de Macário o colocara muito alto na opinião dos seus paroquianos e por uma felicidade realmente inaudita, a tola parolice e a pueril vaidade de Felisberto, que muito poderiam ter prejudicado a reputação do padre, a haviam servido maravilhosamente, graças à credulidade tapuia e à azáfama novidadeira do serviçal e católico Costa e Silva. Assim o Felisberto, aquele palerma que ali ia,