Página:O seminarista (1875).djvu/228

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pude chorar assim... isto me alivia tanto...

Eugênio também deixando-se arrebatar pelo perfume das suaves recordações, que se lhe evaporavam do coração, esqueceu um momento que era padre, chegou-se mais para junto de Margarida, retirou a mão que ela apertava com ternura entre as suas, colocou-a sobre o ombro dela, e encarando-a com doçura:

— Margarida, não chores!... disse, e encostando instintivamente seu rosto ao dela, os lábios de ambos roçaram de leve.

O padre estremeceu e recuou assustado, como se houvesse tocado em uma áspide venenosa. Por alguns instantes ficaram ambos silenciosos.

— Ah! meu Deus! - prosseguiu o padre - eu vinha confessá-la, e sou eu o penitente, que de joelhos a seus pés devo suplicar-lhe perdão...

— Perdão de quê, Eugênio?...

— Ainda me perguntas, Margarida? pois não te faltei à palavra jurada?... não sou a causa do teu sofrimento?

— Não, não és tu, que me matas... eu é que era uma ímpia, uma libertina, querendo roubar-te ao altar, querendo valer mais que Deus. Mas sossego... creio que não morro ainda... depois que te vi, sinto-me tão melhor...

Margarida falava