Página:O seminarista (1875).djvu/241

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— Margarida, para que recordar agora uma felicidade, que não pode mais voltar!

— Pode... porventura não estamos juntos?... eu era tua irmãzinha naquele tempo; agora tu és padre, e eu ainda sou tua irmã, e quero morrer nos teus braços...

— Cala-te, Margarida!... Ai de mim! é agora que avalio a felicidade, que perdi. Ah! perdão, perdão, meu Deus!... eu blasfemo! - interrompeu-se o padre batendo com a mão nas faces.

— Não perdeu nada - replicou Margarida com meiguice -, ganhou muito; estas mãos foram feitas para o altar... como são alvas e bem feitas!

Falando assim a moça tomava entre as suas as mãos de Eugênio, e as beijava não com o respeito devido a um padre, mas com toda a ternura e ardor febril da paixão. Ao contato daqueles lábios mórbidos e frementes, Eugênio sentiu uma estranha vibração agitar-lhe todo o corpo, e o filtro delicioso da volúpia coar-lhe até o âmago do coração. Assustado, levantou-se bruscamente, e ia a sair de carreira pela porta afora. Margarida o deteve pelo braço.

— Por quem é não vá embora - disse-lhe com súplice ternura.

O padre não insistiu; cedendo a uma fatal fascinação