de Ariel : — não é sublime aquella creação dos amores do poeta e da soberana, aquelle amor languido do mancebo e aquelle sentimento da mysteriosa rainha?
Ah! o amor do poeta é o perfume das rosas húmidas da vallada, é o sanctuario mysterioso onde a lampada santa não descora nas sombras do nicho. — «O amor é nellcs o principio da vida; cmpallidecem, soffrem, morrem,- se vão ferir-lhes a sensitiva da ternura delicada e tímida. — Uma palavra,um olhar—e o seio lhes bate de gozo. Que importa que a lyra do amante só tenha uma corda e um som, e o pobre poeta seja bello e monotono como a lua da meia noite ? »
A lua é melancoliea : faeil vos é cerrar as janellas e aecender os lustres quando sua claridão macilenta vos importuna. Porque ir sonhar pelas veigas á noite? Fieai no baile : a bruma e o raio frio das estrellas não vos irão entristecer nos salões delirantes de rumor e luz.
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Ficai-vos pois com vosso genio, meu caro poeta. As estrellas se ateião no céo : brisa da noite vagueia mansa por entre flores: sonhai, cantai, suspirai. A fachada do meu palacio se illumina, e o som dos instrumentos preludia o banquete nocturno. Vou brindar-vos entre meus convivas com a taça de ouro, e fallar de vós a homens que vos admirão. Permanecei aqui, debruçai- vos sobre esse balaustre, e conversai com as sylphides — se não me acharem indigna de uma lembrança, fallai-lhes de