Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/154

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


mesma. Os poetas, cuja nascença tanto honra ao Brasil, alçaram seus vôos d'águia na mãe-pátria. Com pouca exceção, todos os nossos patrícios que se haviam erguido poetas tinham-se ido inspirar em terra portuguesa, na leitura dos velhos livros e nas grandezas da mãe-pátria. José Bonifácio e Durão, não foram tão poetas brasileiros como se pensa. Os heróis do Uraguay e do Caramuru eram portugueses. Não há nada nesses homens que ressumbre brasileirismo, nem sequer um brado de homem livre da colônia, nada... até ao canto entusiasta da mocidade ardente de Antônio Pereira de Souza Caldas, até às gritas livres da insurreição do Tiradentes, esse prelúdio sublime de uma orquestra de clamores de guerra ao brilhar das palmas da independência, procelária que aí vinha desgarrada ante o bafo da tormenta. E contudo o poeta representante dessa época, Gonzaga, apesar de todos os lavores do "parnasso" e do "Plutarco" do Dr. Pereira da Silva, não está muito claramente provado que fosse brasileiro. Eis portanto: os usos eram os mesmos; os homens de aquém-mar sentiam como os colonizadores; Fernandes Vieira e Amador Bueno eram a cópia bela dos guerreiros das Índias.

- Voltando agora ao tema do capítulo.

As literaturas portuguesa e espanhola, ao separarem-se as línguas, ficaram formando duas. Mas assim mesmo é tanta a similitude do parecer, tanta a fusão dos sonhos poéticos, são tão reflexivos numa e noutra os toques da cavaleirosa desfreima, os sentimentos altivos