Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/234

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Satan: Tenho uma casa aqui na entrada da cidade. Entrando à direita, defronte do cemitério.1 Sturn, meu pajem, lá está preparando a ceia. Levanta-te sobre meus ombros: não vês naquele palácio uma luz correr uma por uma as janelas? Sentiram a minha chegada.

Macário: Que ruínas são estas? É uma igreja esquecida? A lua se levanta ao longe nas montanhas. Sua luz horizontal banha o vale, e branqueia os pardieiros escuros do convento. Não mora ali ninguém? Eu tinha desejo de correr aquela solidão.

Satan: É uma propensão singular a do homem pelas ruínas. Devia ser um frade bem sombrio, ébrio de sua crença profunda, o Jesuíta que aí lançou nas montanhas a semente dessa cidade. Seria o acaso quem lhe pôs no caminho, à entrada mesmo, um cemitério à esquerda e umas ruínas à direita?

Macário: Se quisesses, Satan, podíamos descer pelo despenhadeiro, e ir ter lá embaixo, enquanto Sturn prepara ceia.

Satan: Não, Macário. Minha barriga está seca como a de um eremita: deves também ter fome. Molhar os pés no