Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/256

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por ti? daquelas pobres almas que regarão de lágrimas ardentes teu rosto macilento, teu cadáver insensível ?

Macário: Não; não tenho mãe. Minha mãe não me embalará endoidecida entre seus joelhos, pensando aquentar com sua febre de louca o filho que dorme. Ninguém chorará. Não tenho mãe.

Penseroso: Pobre moço! não amas!

Macário: Amo- amo sim. Passei toda esta noite junto ao seio de uma donzela, pura e virgem como os anjos.

Penseroso: Que tens? Cambaleias. Estás ébrio?

Macário: Ébrio sim-ébrio de amor-de prazer. Aquela criança inocente embebedou-me de gozo. Que noite! Parece que meu corpo desfalece. E minha alma absorta de ternura só tem um pensamento-morrer!

Penseroso: Amar e não querer viver!

Macário: Ela é muito bela. Eu vivi mais nesta noite que no resto de minha vida. Um mundo novo se abriu ante mim. Amei.

Penseroso: