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: OS VILHANCICOS : 7

mentos, sendo outros, o menor número, apenas em recitativo.

A nota mais simpática, que hoje conseguimos apreender em tam pequenos trechos, ressequidos pela acção do tempo e reduzidos ao quási total olvido em que se nos deparam, é o tal ou qual perfume rústico, ingénuo, simples, e até de quando em quando gracioso, que dêles se desprende como de pétalas de rosas aromaticas esquecidas numa antiga boceta violada pela nossa curiosidade.

De cunho essencialmente popular na sua estrutura e organização, prendendo-se por um élo longinquo aos mistérios e autos medievos, os Vilhancicos tambem conheceram a sua época de grandeza e se ornaram do nimbo aristocrático e cortesão, sendo de regra ouvirem-se nas festas palacianas, na Capela Real, em tempos de D. Pedro II e de D. João V cantados por artistas famosos nacionais e estrangeiros, escutando-se igualmente nas Catedrais, como na Sé Velha de Coimbra, em tempos dos Bispos D. João de Melo e D. António de Vasconcelos e Sousa, nas Igrejas conventuais, onde primavam organistas e cantochanistas famosos, e vindo, enfim, até às modestas igrejas paroquiais e outras, onde concorria a multidão dos fieis para os ouvir com interêsse bem compreensivel, pois lhes falavam ao sentimento e ao coração.