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: OS VILHANCICOS : 21
III


Há, repetimos, nomes, como acaba de lêr-se, que figuram na primeira como nesta segunda série — autores de Vilhancicos, tout court. Não admira. Nos Vilhancicos que nós estudámos, e de que passamos a apresentar uma notícia bibliográfica, não se nos depara nunca o nome do autor, nem da musica, nem do verso. E compreende-se. Os Vilhancicos constituíam uma espécie ligeira enquadrada num scenário mais amplo e de linhas mais vistosas. Apagavam-se, pois, sumiam-se, na sua pequenez. O que os seus autores pretendiam era preencher um número daquela espectaculosa representação eclesiástico-teatral desempenhada nas igrejas, quer da côrte e destinada a um pequeno escol da sociedade, quer do povo, para ser por todos ouvida e apreciada. Era um espectáculo para os olhos e para os ouvidos. A alma andaria longe. Mas que fazer? Era o jugo despótico da moda, era o gôsto doentio das diversões e das inovações. Afagava-se a sensualidade sob a côr dum misticismo, que tinha tudo de aparente e nada, positivamente, de real, nada que tocasse a espiritualidade, que erguesse nobre e dignamente os corações para Deus. Doíam-se as almas simples e bondosas, as que