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: OS VILHANCICOS : 57

Assi chegão ao presepio,
E vendo a beleza nua
De hum Menino entre palhinhas,
Desta maneira prenuncião:

Ai que lindo que vindes!
Ó que bizarro!
Pois naceis de hũa Rosa,
Cravo encarnado!
O galansete,
O garridete,
O bonitete,
O namorado,
O desgarrado,
Que és cravo encarnado!

Outro exemplo ainda desta estravagância noutros Vilhancicos de Coimbra, em festas dos Reis no ano de 1694:

Curiosos que andais pelo mundo
Aprendendo sciencias
E artes liberais,
Correi, chegai,
Que em Belem
Está hoje um Menino,
Que a todas as Artes
Vos pode ensinar!

E desanda uma esquipática e sesquipedal demonstração em Coplas, cantando o Menino Gramatico sem igual, Retorico sem segundo, Filosofo agudo, Arismetico sem conto, Musico compositor, Astrologo com estrela, Matematico engenhoso, enfim! — Musico, Poeta, Legista, Teologo. E só isto, bom Deus!, porque o autor resolveu, confessando-se modestamente incapaz de fazer o contrário, calar as prendas da Sciéncia, que ornam o Menino Jesus.

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