do-se cahir esbaforido em sua larga poltrona.
— Como nada? É a mim que quer dizer isso, transtornado como está? Alguma aventur extranha lhe succedeu.
— Oh! pelo amor de Deus! quando eu digo nada é nada ou é alguma cousa que não posso dizer.
— Que não quer dizer mesmo a mim? E quem tomará cuidado de sua saúde? Quem lhe dará um conselho?
— Ai! cale-se, cale-se, e deixe lá a mesa; traga um copo do meu vinho.
— E quer sustentar que não tem nada, disse Perpetua, enchendo o copo e conservando-o na mão como si quizesse fazel-o valer o preço de uma confidencia que estava se fazendo esperar tanto tempo.
— Dê-m՚o, dê-m՚o, disse o cura, tomando-lhe o copo com um gesto pouco firme e esgottando-o com precipitação, como si se tratasse de um medicamento.
— Quer então que eu seja obrigada a andar acima e abaixo perguntando a que aconteceu ao meu patrào? disse Perpetua, diante delle, de pé, as mãos voltadas postas nos quadris, os cotovellos para diante, olhando-o fixamente, como si quizesse arrancar-lhe o segredo dos olhos.
— Por Deus do céu, não vá fazer bisbillotices, não faça barulho... Ha nisto... ha nisto uma questão de vida.
— De vida?
— De vida.
— O senhor bem sabe que quando me diz qualquer cousa sinceramente, em confidencia, eu nunca...
— Sim, perfeitamente; por exemplo, quando...
— Perpetua se apercebeu de que pisava em terreno falso, e mudando subitamente de tom: