que estamos reduzidos a ver cada um, perdôe que lhe diga, vir...
— Faz favor de calar-se?
— Calo-me; mas não é menos verdade que quando essa gente se apercebe de que um homem em todas as circumstancias está sempre prompto a rebaixar os a seus...
— Faz favor de calar-se? Isto é occasião para dizer semelhantes tolices?
— Basta; o senhor pensará sobre o caso esta noite, mas por agora não comece por fazer mal a si mesmo, por arruinar a sua saúde: coma alguma cousa.
— Pensarei, respondeu D. Abbondio, certo que pensarei, é preciso que pense.
E accrescentou levantando-se:
— Não quero tomar cousa alguma; tenho mais com que me occupar. Sei bem que me cumpre reflectir sobre isto. Sim, senhor, havia de cahir isto justamente sobre a minha cabeça !
— Engula ao menos esta gottasinha, disse Perpetua deitando-lhe vinho. Isto levanta-lhe sempre o estomago.
— Ora! Preciso é de outra cousa, de outra cousa, de outra cousa.
E, dizendo estas palavras, tomou da lamparina e murmurando sempre: « Uma nonada! A um homem de bem como eu! E amanhã, como será isso? » e outras lamentações semelhantes, encaminhou-se para subir ao seu quarto. Ao chegar á porta, voltou-se para Perpetua, poz um dedo na bocca, disse num tom lento e solemne: « Por amor do céu ! » e desappareceu.