— Talvez lá a minha escrava poderá ganhar alguma cousa, pensou o bruto... e intimou a Nydia de seguir com a harpa o negro que devia acompanhal-a a casa de Arbace.
O nome de Arbace era triste synonimo de vicio para as raparigas de Pompeia, e ella, cega, já se via no meio d՚aquella gente ebria, excitada no maximo grau, a commetter as maiores iniquidades.
Ella tentou resistir, mas, um ponta pé do homem ignobil fez-lhe lembrar que taes escrupulos, a elle pouco importavam.
Os presentimentos de Nydia não eram errados. Depois de ter dançado ella sentiu um braço que lhe apertava seu delicado corpo. O movimento impudico tinha sido feito por Arbace. A cega gritando evadiu-se d՚aquella casa onde só reinava a devassidão.
Burbio, porém, em casa de quem correndo ella voltou, achou estupido semelhante fuga e, sendo para o mesmo pouco pratico tal acto, sem misericordia começou a espancar a pobre cega...
O atheniense Glauco... — Glauco tinha passada a noite com outros rapazes, companheiros de pandega, na casa de Julia, uma bellissima e riquissima cortezã pompeiana.
Julia tinha grande sympathia pelo bello Glauco e n՚aquella noite ella quiz tel-o sempre ao seu lado....
O jovem grego, porém, não pensava na Julia. Na sua memoria vagava ainda a lembrança de um dia já passado e de uma flôr secca que elle guardava n՚um cofre como se fosse uma joia de grande valor.
Glauco e os amigos tinham sahido da casa de Julia e se dirigiam para o lado do mar, quando, passando diante da taberna de Burbio, ouviram os gritos da pobre cega...
— Aqui se bate uma mulher — exclamou Glauco — e, sem mais nem menos, seguindo o impulso da sua generosidade, entrou na taberna seguido pelos companheiros.
Elle propoz ao taberneiro de comprar-lhe a escrava. Burbio acceiton logo de boa vontade, considerando o offerecimento munifico que lhe fora feito.
A cega commoveu-se vivamente pelo acto generoso e pela voz harmoniosa do jovem atheniense! Uma sensação nova que ella