um empurrar-se, pisar-se uns sobre os outros, um atropellar sem piedade os que cahiam no meio de lamentos, blasphemias, gritos, preces, invocações... As nuvens se succediam a nuvens e a escuridão tornava-se sempre mais fita !...
Foi uma noite improvisa, uma noite espantosa em pleno dia !
Nydia salva Glauco e Jone... — Nydia que não necessitava dos olhos para guiar-se, ao começar do cataclysma, tinha apertado a mão de Jone e a conduzira para a Arena.
Encontraram Glauco confuso e terrorizado pelas grandes emoções passadas. Os dois noivos cahiram um nos braços da outra e assim teriam perdido a possibilidade de se salvarem se Nydia não os tivesse separados. Tirando-os pelas mãos, a toda pressa, como se enxergasse estando em pleno dia, levou-os para o lado do mar.
A despedida de Nydia... — Nydia salvou os dois noivos... Elles acharam lugar sobre uma barca que estava prompta para tomar o largo.
« Corras, minha querida Nydia », gritou Glauco, « sobes tu tambem sobre a barca... ».
Mas, a cega estava com os olhos apagados e fixos na direcção do mar como se estes, pela primeira vez enxergassem uma visão distante, doce... uma visão de paz e de amor...
« Oh mar sagrado, eu sinto a tua voz que me convida », esclamou a donzella, sem responder ao chamado de Glauco...
E, desde aquelle momento ninguem mais viu a pobre cega vendedora de flores...
EPILOGO
N՚uma cidade da Sicilia, sobre um terraço, Glauco escreve a Sallustio que tambem pode-se salvar, mas, que vive longe.
Jone agora sua esposa, orna com flores uma lembrança em marmore levantada á memoria da cara e sempre chorada Nydia...