PROLOGO
Uma festa em casa de Arbace o Egypciano
A orgia ferve com toda a sua intemperança. O Falerno, o Capri, o Veliterno escorre a rios trabordado das amphoras lacradas a longos annos, nas copas doradas..... O bacchanal augmenta..... As coroas de rosas que adornavam as cabeças dos convidados desfolhavam-se e desfaziam-se com os movimentos descompostos das mulheres e dos homens já ebrios..... O ar do salão, pela prolongada demora das pessoas, pelas numerosas flammas dos castiçaes e pela fumaça cheirosa que se elevava dos tripodes de ouro, tornava-se sempre mais abafado.
Arbace, o sacerdote de Isis, a Deusa Egypcia, deu um jantar aos seus amigos, pondo em tal occasião em evidencia uma opulencia só digna de um imperador romano.
Para proporcionar aos convidados uma nova diversão elle diz ao gigantesco escravo negro que lhe estáva ao lado: « Ha uma vendedora de flores cega que se chama Nydia que dança muito bem ao som da harpa eolica que ella mesmo toca..... Corres á taberna de Burbio a procural-a e conduze-a aqui..... ».
A taberna de Burbio... — É uma bodega escura e humida, ennegrecida pela fumaça das lampadas a oleo.
Os gladiadores, gente destinada ao maladouro para o publico recreio, alli commettiam os maiores excessos procurando esquecerem-se no vinho e no canto as poucas horas que, talvez, os separavam de morte atroz...