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Pastoral aos crentes do amor e da morte
117
XIX

Hão de chorar por ella os cinnamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjaes hão de cahir os pomos,
Lembrando-se daquella que os colhia.

As estrellas dirão: — Ai! nada somos,
Pois ella se morreu, fulgente e fria...
E pondo os olhos nella como pomos,
Hão de chorar a irman que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, ha-de envolvel-a
Entre lirios e petalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os archanjos dirão no azul, ao vel-a,
Pensando em mim: — Porque não vieram juntos?