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Fernam Mendez Pinto. 12

& no golfaõ, a Galè Eſpinheyro cujo Capitão era Ioaõ de Sousa que chamauão d’alcunha o Rates, por ſer filho do Prior de hum lugar q̃ chamão Rates, da qual Galè dom Chriſtouão da Gama filho do Conde Almirante, que deſpois os Turcos mataraõ no Preſte Ioaõ, ſaluou a mayor parte da gente, por ſe achar jũto della no tempo que o mar açoçobrou. E aſsi ſe perderão mais outros ſete nauios, de cujos nomes não ſou lembrado. De maneyra que primeyro q̃ o Viſorrey ſe tomaſſe a refazer do q̃ perdera, & ajuntar o que a tormenta lhe eſpalhara por diuerſas partes, ſe paſſou mais de hum mès. E chegando em fim a Diu aos dezaſſeis de Ianeyro do anno de 1539. entendeo logo em tornar a edificar de nouo a fortaleza, porque os Turcos deixaraõ a mor parte della poſta por terra; de maneyra que o ſaluarſe pareceo que fora mais por milagre que por ſorça humana. E repartindo eſta reedificação da ſortaleza pelos Capitaẽs da armada, deu ao Pero de Faria, por ter muyta gente, o baluarte do mar com a couraça da banda da terra, que em vinte & ſeys dias com ſós trezentos ſoldados pòs em muyto milhor eſtado do que antes eſtaua. E porque ja neſte tempo erão catorze de Março, & a monção de Malaca era ja chegada; ſe partio Pero de Faria para Goa, onde por prouiſoẽs do Viſorrey que leuaua, ſe acabou de prouer de tudo o neceſſario muyto abaſtadamente, & ſe partio de Goa a treze dias de Abril, com hũa frota de oiro naos, & quatro fuſtas, & hũa Galè em que leuaua ſeiſcentos homẽs, & com tempo feyto de boa monçaõ chegou a Malaca a cinco dias de Iunho do meſmo anno de 1539.

CAP. XIII.
Como Pero de Faria foy viſitado por hum Embaixador do Rey dos Batas, & do que paſſou com elles.

A

O tempo que Pero de Faria chegou a eſta fortalcza de Malaca, eſtaua nella por Capiraõ dom Eſteuão da Gama, & eſteue ainda algũs dias ate acabar o ſeu tempo, porem como Pero de Faria era Caprtão chegado de nouo, & que ainda então começaua o ſeu tẽpo, deſpois de auer algũs dias que era chegado à fortaleza, os Reys comarcaõs della o mandaraõ viſitar por ſeus Embaixadores, & darlhe o.s parabẽs da ſua capitania, com offerecimentos de muyta amizade &cõſeruação de pazes com el Rey de Portugal, entre os quais veyo hum del Rey dos Batas, que habita na ilha Çamatra da parte do Oceano, onde ſe preſume que jaz a ilha do ouro que el Rey dom Ioaõ o terceyro algũas vezes tentou mandar deſcubrir, por informaçoẽs que deſtas partes algũs Capitaẽs lhe eſcreueraõ. Eſte Embaixador, que era cunhado do meſmo Rey dos Batas, & ſe chamaua Aquarem Dabolay, trouxe hũ
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