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Formada com suspiros e com prantos;
Quando escutava a musa da elegia
Cantar de Elvira os magicos encantos,
Entrava-lhe a voar a alma inquieta,
E co′ o amor sonhava de um poeta.

X


Ai, o amor de um poeta! amor subido!
Indelevel, purissimo, exaltado,
Amor eternamente convencido,
Que vai além de um tumulo fechado,
E que, através dos seculos ouvido,
O nome leva do objecto amado,
Que faz de Laura um culto, e tem por sorte
Negra fouce quebrar nas mãos da morte.

XI


Fosse eu moça e bonita... N′este lance
Se o meu leitor é já homem sisudo,
Fecha tranquillamente o meu romance,
Que não serve a recreio nem a estudo;
Não entendendo a força nem o alcance
De semelhante amor, condemna tudo;
Abre um volume serio, farto e enorme,
Algumas folhas lê, boceja... e dorme.