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XII


Nada perdes, leitor, nem perdem nada
As esquecidas musas; pouco importa
Que tu, vulgar materia condemnada,
Aches que um tal amor é lettra morta.
Podes, cedendo á opinião honrada,
Fechar á minha Elvira a esquiva porta.
Almas de prosa chã, quem vos daria
Conhecer todo o amor que ha na poesia?

XIII


Ora, o tio de Elvira, o velho Antero,
Erudito e philosopho profundo,
Que sabia de côr o velho Homero,
E compunha os annaes do Novo Mundo;
Que escrevêra uma vida de Severo,
Obra de grande tomo e de alto fundo;
Que resumia em si a Grecia e Lacio,
E n′um salão fallava como Horacio;

XIV


Disse uma noite á pallida sobrinha:
«Elvira, sonhas tanto! devaneias!
«Que andas a procurar, querida minha?