Página:Phalenas.pdf/98

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Era a face do lago uma esmeralda
Que reflectia o cysne alvo de neve.

Veio este a nós, e como que pedia
Alguma cousa, uma migalha apenas;
Nada tinhas que dar-lhe; a ave arrufada
Foi-se cortando as aguas tão serenas.

E nadando parou junto ao repucho
Que de agua viva aquelle tanque enchia;
O murmurio das gottas que tombavão
Era o unico som que alli se ouvia.

Lá ficámos tão juntos um do outro,
Olhando o cysne e escutando as aguas;
Vinha a noite; a sombria côr do bosque
Emmoldurava as nossas proprias mágoas.

N'um pedestal, onde outras phrases ternas,
A mão de outros amantes escreveu,
Fui traçar, meu amor, aquella data
E junto d'ella pôr o nome teu!

Quando o estio volver aquellas arvores,
E á sombra d'ellas fôr a gente a flux,