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Página:Pharóes.pdf/62

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PHARÓES


Ó meu verso, ó meu verso soluçante,
Meu segredo e meu guia,
Tem dó de mim lá no supremo instante
Da suprema agonia.

Não te esqueças de mim, meu verso insan
Meu verso solitario,
Minha terra, meu céo, meu vasto oceano,
Meu templo, meu sacrario.

Embora o esquecimento vão dissolva
Tudo, sempre, no mundo,
Verso que ao menos o meu ser se envolv
No teu amor profundo!

Esquecer é andar entre destróços
Que além se multiplicam,
Sem reparar na lividez dos ossos.
Nem nas cinzas que ficam...

É caminhar por entre pezadellos,
Somnambulo perfeito,
Coberto de nevoeiros e de gelos,
Com certa ancia no peito.

Esquecer é não ter lagrimas puras,
Nem azas para beijos
Que vôem procurando sepulturas
E queixas e desejos!

Esquecimento! eclipse de horas mortas,
Relogio mudo, incerto,
Casa vasia... de cerradas portas,
Grande vacuo, deserto.